“Ai a princesa mais bonita
Ai jovem moça esquecida
Ai insensato navegante
O infinito num instante
Num instante”
Uma mecha branca no cabelo aos 12 anos de idade é vestir-se do mais puro mistério. Assim era ela, aurora escondida dentro de noite de lua. Maria das Dores, a Dorinha. O tempo de seus olhos era dos marinheiros e dos seus navios. Um dia um marinheiro veio e lhe perguntou seu nome, e ela disse, Dorinha. Um sorriso trocado e eles se foram navegar. A menina até aquele dia tinha lançando sua esperança de ir-se no horizonte. Foram alguns anos morando no mar. E quando os filhos viraram 4 eles resolveram buscar a terra firme. Chegaram no porto da Glória. Tudo parecia uma grande fazenda. De lá dava para ver o outeiro da glória e o mar espumava onde hoje é a rua das feira. Dorinha caminhou pela Glória entre as polacas. Ela ainda era muito menina quando chegou no Rio de Janeiro. Em sua moradia marítima ela se esquecera muita coisa sobre ser humano e aprendera muita coisa sobre ser peixe, ser estrela e ser tempestade marítima. Sua casa no Rio era o barco. Um dia Dorinha foi dar uma volta com as crianças e quando voltou o barco tinha ido embora. Sem entender por quê, se deparou com a rua e aquelas 4 crianças. O menino e a menina mais velha foram para internatos. As de 2 e 3 anos ficaram na rua mendigando com a mãe. Dorinha estava decidida a encontrar seu marido e dedicou sua vida a isso. Trabalhando em hotéis desvendou o segredo das polacas da rua Cândido Mendes. Foi camelô na central do Brasil, doméstica e dançarina.
Um dia estava saindo do trabalho e viu o barco. O ar ficou suspenso e a boca seca. O marinheiro tinha morrido e aquele barco agora lhe pertencia. O mesmo mar que levou seu marinheiro lhe trouxe a herança, que foi transformada em um apartamento na rua do riachuelo. Dorinha não se arrepende. O mar da Glória virou asfalto, e o porto de lembranças desapareceu junto com as polacas da rua Cândido Mendes.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sacradança
obra musical de Thiago Amud
por Antônio Máximo Ferraz
VISITEM: http://www.myspace.com/thiagoamud
Com um olho posto na interpretação de nosso tempo, e outro na perene condição do homem, Sacradança é a encenação da divina comédia dentro da qual ele já está desde sempre lançado, a transitar entre o divino e o diabólico. Os dez cantos que compõem o poema apresentam uma chave iniciática: o divino é o abrir-se reverencial do homem para o que o excede (e paradoxalmenteo engrandece). O diabólico é a obliteração do mistério nas mais variadas formas de extravio - do voluntarismo subjetivista ao mercado das ideologias - que terminam por apequenar o humano e torná-lo o sal insípido, com o qual não há de se salgar a Terra. Sob o regime de dessacralização diabólica, o homem se torna a própria Terra Mãe na menopausa.
Entrecruzando uma multiplicidade de vozes, gestos e posturas, Sacradança defaz a idéia de que a música seja somente a expressão dos sentimentos do compositor. Quem prioritariamente fala na obra - e não em seu significado ordinário, como instrumento humano de comunicação, mas como a divina colheita em que se assoma o sentido da pertença do homem à Terra. Trazendo o drama da linguagem para o proscênio, Sacradança realiza um tenso diálogo entre a tradição e a contemporaneidade. Daí resulta uma tessitura musical cheia de dinamismo, em que a canção ora se choca, ora se harmoniza com arranjos que vão do lirismo ao patético e à agonia. Isto é feito com um tônus freqüentemente irônico, de modo a incorporar, na própria estrutura musical da obra, as tensões que ela põe em movimento.
obra musical de Thiago Amud
por Antônio Máximo Ferraz
VISITEM: http://www.myspace.com/thiagoamud
Com um olho posto na interpretação de nosso tempo, e outro na perene condição do homem, Sacradança é a encenação da divina comédia dentro da qual ele já está desde sempre lançado, a transitar entre o divino e o diabólico. Os dez cantos que compõem o poema apresentam uma chave iniciática: o divino é o abrir-se reverencial do homem para o que o excede (e paradoxalmenteo engrandece). O diabólico é a obliteração do mistério nas mais variadas formas de extravio - do voluntarismo subjetivista ao mercado das ideologias - que terminam por apequenar o humano e torná-lo o sal insípido, com o qual não há de se salgar a Terra. Sob o regime de dessacralização diabólica, o homem se torna a própria Terra Mãe na menopausa.
Entrecruzando uma multiplicidade de vozes, gestos e posturas, Sacradança defaz a idéia de que a música seja somente a expressão dos sentimentos do compositor. Quem prioritariamente fala na obra - e não em seu significado ordinário, como instrumento humano de comunicação, mas como a divina colheita em que se assoma o sentido da pertença do homem à Terra. Trazendo o drama da linguagem para o proscênio, Sacradança realiza um tenso diálogo entre a tradição e a contemporaneidade. Daí resulta uma tessitura musical cheia de dinamismo, em que a canção ora se choca, ora se harmoniza com arranjos que vão do lirismo ao patético e à agonia. Isto é feito com um tônus freqüentemente irônico, de modo a incorporar, na própria estrutura musical da obra, as tensões que ela põe em movimento.
domingo, 14 de março de 2010
Rio de Janeiro

Rio de Janeiro. Significado de casa, Martins Pena, projetos, dia-a-dia...e a curiosidade acaba sendo esmagada pelo cotidiano. Não faz muito tempo que voltei de viagem. Posso dizer que ainda estou impregnada desse desejo de descobrir paisagens que me inspirem, de desconhecer lugares, de sentir a atmosfera carioca como uma estrangeira. Estrangeira que fui, baianoca que estou, algumas vezes acabo deixando o dia-a-dia tomar conta de mim e a cidade se torna sempre a mesma. Ela não é. A cidade cada dia é uma. Ontem saímos, eu e o Evee. O Evee descobre tudo que está acontecendo na cidade e não pode perder nada, tudo tem que ser visto. De repente, a cidade fica enorme e parece querer nos engolir.
Sábado, dia 13 de março, nos encontramos ao meio dia no Rio antigo. Como o Rio antigo é gostoso, com seus prediozinhos antigos, com barzinhos, lojinhas... Fomos na feira da praça XV e depois caminhamos por aquelas ruazinhas. Descobri um bar-sebo que merece ser visitado. É um bar de cervejas artesanais. Cervejas brasileiras, alemãs e de várias outras nacionalidades, pra mais de 20 marcas. Chama-se Al-farabi, localiza-se na rua do rosário e também abriga um sebo. Chega o momento das exposições. Fomos numa galeria de arte bem interessante, que também fica na rua do rosário. Partimos para o centro cultural dos correios e vimos uma exposição inspirada na cidade do Rio. Nos questionamos muito sobre como um artista pode olhar para a cidade e transformar a cidade a partir do seu olhar, criando uma obra de arte. Vimos muitos quadros que eram simplesmente retratos do Rio. Cristo redentor, pão de açúcar,praias. Vimos outras obras que carregavam um retrato do Rio com uma soma artística. Olhares soma que propõe descobrir, denunciar, mudar a perspectiva ou simplesemente colorir diferente. No CCBB vimos a exposição do videoartista Eder Santos. Uma oportunidade de interagir e ser observador e obra de arte. Assistimos um filme de suspense peb e corremos para o teatro para ver Acorda Zé, do grupo Moitará. Espetáculo do mundo imaginativo, poético...tudo isso de meio dia as nove da noite. A cidade pulsa, explode.
Domingo foi dia de Kurosawa no Mam e de Antonioni no CCBB. Tudo VIP na fila da senha... A cidade se revela sob novas formas que o meu desejo de descobrir me exige.
Editorial de moda - Jornal O Dia


Gata com estampa animal
Protagonista do filme ‘Besouro’, a baiana Jessica Barbosa adota outros bichos, como zebra e onça, para apimentar o guarda-roupa
POR MARCIA DISITZER
POR MARCIA DISITZER
Rio - A protagonista do filme ‘Besouro’ é uma verdadeira gata. Baiana de Feira de Santana, Jessica Barbosa, 24 anos, tem sorriso desconcertante de tão bonito e rosto digno de campanha de beleza. Não foi à toa que ela estreou no cinema em grande estilo, interpretando Iansã, a rainha dos ventos, e Dinorá, a paixão do herói capoeirista Besouro. E também não foi à toa ela ter sido escolhida para mostrar neste ensaio as eternas e irresistíveis estampas animais, que fazem a transição do verão para a meia-estação sem traumas, com doçura sensual.
Baiana Jessica Barbosa adota outros bichos, como zebra e onça, para apimentar o guarda-roupa
Baiana Jessica Barbosa adota outros bichos, como zebra e onça, para apimentar o guarda-roupa
Peças de onça, zebra e afins são clássicos do guarda-roupa feminino. Há quem ame, há quem odeie. Mas não tem como negar: é preciso ter personalidade para usá-las, misturando-as com acessórios coloridos, correntes douradas e toques étnicos. Criteriosa na vida e com sua imagem, Jessica adotou as padronagens felinas e o estilo vintage da marca Eu Amo no dia a dia e em suas aparições públicas, como o Festival de Berlim, para onde foi mês passado representando o filme.
Esperta, exibe cachos livres no visual black power. “Alisei o cabelo dos 7 aos 18 anos. Um dia resolvi parar por não saber mais como ele era”, conta a atriz, ressaltando que não fez nenhum corte para os cachos crescerem fartos e lindos. “Ao assumi-los, comecei a trabalhar muito mais”, revela ela, que atuou como modelo na Bahia e em São Paulo antes de se tornar atriz. Agora, morando no Rio, estuda teatro na Martins Pena, delineando um caminho autoral. “Quero me formar e fechar este ciclo”, diz Jessica, que, além de linda, é inteligente.
Esperta, exibe cachos livres no visual black power. “Alisei o cabelo dos 7 aos 18 anos. Um dia resolvi parar por não saber mais como ele era”, conta a atriz, ressaltando que não fez nenhum corte para os cachos crescerem fartos e lindos. “Ao assumi-los, comecei a trabalhar muito mais”, revela ela, que atuou como modelo na Bahia e em São Paulo antes de se tornar atriz. Agora, morando no Rio, estuda teatro na Martins Pena, delineando um caminho autoral. “Quero me formar e fechar este ciclo”, diz Jessica, que, além de linda, é inteligente.
segunda-feira, 8 de março de 2010
TACHELES

Tacheles em hebraico significa comunicar-se com claridade, revelar...
O Tacheles é um centro cultural alocado em um edifício abandonado no bairro de Mitte, Berlim.
Mitte está na zona leste da cidade e foi um antigo bairro judeu. Agora se transformou em uma área cheia de cafés e galerias de arte. Em 1907 o prédio era um grande centro comercial, depois foi usado pelos nazistas como prédio administrativo. Ele chegou a ser bombardeado na segunda guerra mas resistiu. Depois da guerra o edifício se tornou um armazém. Com a queda do muro os planos eram de que o prédio fosse demolido, mas um grupo de jovens artistas, de diversas partes do mundo, ocuparam o prédio. Mitte assim como Prezlauer Berg e Friedrichschain são bairros que têm uma filosofia de autonomia e espontaneidade. Os artistas além de morarem no prédio, produzem, expõem e vendem suas peças. O centro cultural ainda conta com um cinema e um teatro. Foi uma experiência única, indo a Berlim vale muito a pena conferir. Obrigada aos amigos Riad e Tomas pelo passeio.
domingo, 7 de março de 2010
A hora da estrela - Pedro Moraes e João Cavalcanti
Uma menina
e a cidade passando no meio
e a verdade batendo de quina
na cavidade do meu anseio
gira menina
de vontade pisada no freio
na cidade que é meio ruína
e meio saudade do que não veio
pela vidraça
toda pressa da gente que passa
e o progresso cuspindo fumaça
nas esquinas da minha cabeça
e essa moça eu nem mesmo conheço
mas sua história
mal logo termina
de se representar
rebobina como cinema
em minhas retinas
tira do armário
o vestido de naftalina
ao encontro do amor operário
que se desfaz na próxima esquina
mas a vidente
num baralho partido no meio
um futuro lhe deu de presente
e do escuro uma estrela reveio
Minha imaginação dançarina
nova diva que sinto e semeio
entidade que me contamina
clandestina, nordestina, devaneio
quinta-feira, 4 de março de 2010
NOVAS CAMINHADAS
Estou envolvida em um projeto novo. Um projeto que a princípio é de outra pessoa, e que eu entraria como parte colaborativa, me propondo ao exercício e a observação. Depois do terceiro encontro, sinto e penso esse projeto o tempo inteiro. Ao mesmo tempo que me entrego a mergulhos em lugares extra-cotidianos, eu me torno objeto da minha própria observação. Observo também o outro, a vida urbana, o som da cidade. Sou observada.
Posso dizer que sinto a necessidade de uma preparação para poder escutar. Num ritmo acelerado e disperso muita coisa se perde. Sinto a necessidade de desacelerar, de relaxar e me permitir a escutar...me permitir...
Uma das primeiras etapas da escuta é o silêncio. Não simplesmente deixar de falar, mas sim, alcançar o silêncio da mente. Quantas vezes uma pessoa está falando e eu já estou julgando, confrontando ou pensando sobre o que eu quero falar? Quantas vezes a cidade vem com seus ruídos de pássaros e cigarras confundidos a ambulancias e aviões? Acolher o que o outro diz, receber...
O blog indica aos leitores. Fechem os olhos, respirem profundamente, silenciem (ou busquem silenciar). Abram os ouvidos, que novos sons podem invadir você!
Posso dizer que sinto a necessidade de uma preparação para poder escutar. Num ritmo acelerado e disperso muita coisa se perde. Sinto a necessidade de desacelerar, de relaxar e me permitir a escutar...me permitir...
Uma das primeiras etapas da escuta é o silêncio. Não simplesmente deixar de falar, mas sim, alcançar o silêncio da mente. Quantas vezes uma pessoa está falando e eu já estou julgando, confrontando ou pensando sobre o que eu quero falar? Quantas vezes a cidade vem com seus ruídos de pássaros e cigarras confundidos a ambulancias e aviões? Acolher o que o outro diz, receber...
O blog indica aos leitores. Fechem os olhos, respirem profundamente, silenciem (ou busquem silenciar). Abram os ouvidos, que novos sons podem invadir você!
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