quinta-feira, 4 de novembro de 2010

REVISTA LOLA


Quero agradecer pelo convite para o Ensaio deste mês na REVISTA LOLA, uma publicação nova da editora abril, voltada ao público feminino. Li a revista do mês passado e gostei bastante, publicação nova que vem com fôlego!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

INDICAÇÃO TROFÉU RAÇA NEGRA 2010

Acabo de saber que estou indicada ao troféu Raça Negra 2010 na catergoria melhor atriz/cinema por Besouro. Junto com essa notícia fiquei sabendo que o Besouro está ganhando um prêmio na Espanha exatamente agora! A votação é online. Érico Brás está concorrendo como melhor ator/teatro por Orfeu. Votem!

http://www.trofeuracanegra.com.br/website/index.php?option=com_pollxt&Itemid=18
Urso de Ouro - Berlinale
Berlim

Lançamento Besouro - Rio de Janeiro







Pré-estréia do Besouro em São Paulo


A loja Eu Amo Vintage sempre me acompanha nos melhores momentos e da melhor forma que poderia: me vestindo! Entrem no blog da loja: http://blogeuamovintage.blogspot.com/ que é uma fofura vejam a lindíssima coleção nova, peguem o bondinho para santa teresa e divirtam-se com as compras!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

MIRA

Orfeu: Érico Brás

fala de umas coisas que eu nem posso acreditar...


grande atriz: Patrícia Costa

Toda vez quando está pertinho do ano findar eu faço a minha retrospectiva e preparo as minhas intenções para o ano que chegará. Esse não é um texto de retrospectiva, mas mal começo a escrever sobre o presente e caixinha de memórias começa a piscar. Ano passado eu lancei o meu primeiro filme, Besouro, já parece que faz tanto tempo. Participei de um festival de cinema que me deu um prêmio de atriz revelação, mas que na verdade o grande prêmio que levei daquela noite foi a sensação de me sentir incluída. Foi muito engraçado o que senti naquela noite. Tanta gente que admiro estava presente, Zezé Mota, Antonio Pitanga, Elza Soares, Dona Lúcia Rocha (mãe do Glauber Rocha)...e eu estava sentada ao lado deles, no palco, essa sensação foi o meu maior prêmio. Quando 2009 ia virar 2010 coloquei no meu quadro de intenções muitas imagens de teatro. Uma foto do Ensaio.Hamlet (Cia dos atores) representando coletividade, Quartet do Bob Wilson com Isabelle Huppert me convidando a correr riscos...Fui viver a emoção de estar com um filme no Festival de Berlim, entreguei até um Teddy Awards, oscar do cinema gay, e voltei para a Escola de teatro. No meio do primeiro semestre de repente surge Jayme Periard e um convite para a peça Pedaços de Mim. Mulheres, desejos, dores, alegrias, o palco enorme do Teatro Clara Nunes e sobretudo o conhecimento que esse grande ser humano me passou. Eis que surge Orfeu, meu primeiro musical. Agora mais do que nunca eu estava vivendo de maneira concreta tudo o que eu tinha intecionado. Não cheguei a desejar o Aderbal, pois nem pensava em apostar tão alto. Ele veio com seus livros, seu sorriso sem fim, sua gentileza. Mira era tão distante de mim e agora já é tão próxima, ela me ensinou que estar em dias com a auto-estima ajuda muito na hora de pisar no palco. Todo mundo que veio junto com ela foi o grande presente deste ano, nem cabe aqui o que aprendi, o que caminhei. Caberá nos palcos, na estrada de atriz que agora percorro com mais vontade ainda, com medo e ansiedade, mas com muito mais confiança e tranquilidade.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

por caetano veloso

O meu português ruim

O Globo - RJ - NOTÍCIAS - 03/10/2010

É inacreditável que Barbara Heliodora tenha escrito que um autor teatral não pode usar o tratamento na segunda pessoa. E muito significativo que ela tenha lançado esse anátema como condição para que uma peça se considere brasileira. É a mesma mentalidade que leva um tradutor de Proust a evitar a palavra “raparigas” e tradutores de textos complexos a correrem da tmese como o diabo da cruz. Até parece que estilos nascidos desse tipo de pânico primam pela clareza e pela elegância.Mas não. Leem-se textos onde o único mérito parece ser o do esforço para evitar mesóclises e segundas pessoas. Erros variados e escorregadelas para a pedanteria não são sequer notados por muitos dos que se contorcem nesses dribles. Outro dia, por causa de meus protestos contra o medo da mesóclise, recebi alguns e-mails corrigindo minha suposição de que talvez algo do problema se devesse às campanhas dos sociolinguistas. Dei razão aos que me corrigiram. Mas a verdade é que esse à vontade com que Barbara Heliodora proíbe o uso do tratamento em segunda pessoa não pode deixar de se dever, em parte, a tal campanha. É difícil que simplesmente coincida com ela.Quando eu mantinha um blog para acompanhar a feitura do projeto “Zii e Zie”, disco e show, escrevi, em tom ainda mais apressado e irresponsável do que o faço aqui, sobre as perguntas que me fiz ao ler um bom livro sobre tendências do português brasileiro.Como a descrição da frequência do uso do “você” levava a autora a expor os pronomes pessoais sujeitos como sendo “eu, você, ele, ela, nós, vocês, eles, elas”, em vez de “eu, tu, eles, nós, vós, eles”, fiquei com a impressão de que se sugeria que passássemos a ensinar nas escolas esses pronomes mais usuais — e as variações verbais que os acompanham — e abandonássemos o “tu” e o “vós”, que não usamos na conversa.Descrevi o mal-estar que isso me provocava e enumerei as várias formas conversacionais em que a segunda pessoa do singular é usada comumente.Do “tás me estranhando” carioca ao “viste” (ou “visse”) pernambucano; do “tu é mesmo mané”, também do Rio, ao “tu fala demais” dos gaúchos. Lembrei que em Belém do Pará se flexiona o verbo para a segunda pessoa com considerável frequência.E mencionei o fato de que as crianças entendem perfeitamente bem o que quer dizer um samba-canção ou um rock-balada em que o cantor se dirige à amada na segunda pessoa. Isso sem falar nos textos eruditos.Por causa da reação de alguns comentaristas do blog, fui ler os sociolinguistas militantes — esses que odeiam os professores que ensinam regras de português em jornais ou na TV. Percebi que há uma confusão entre observar como a língua muda e querer desfazer toda a normatividade já consagrada. A explicação era sempre que a norma culta é uma espécie de ideologia da classe dominante que oprime os desassistidos.Nunca passava pela cabeça desses heróis que essa norma tinha se desenvolvido pelo mesmo processo para o qual eles querem chamar a atenção no presente. O povo é o inventa-línguas. A contribuição milionária de todos os erros. Sim. Mas desde sempre. Por que desqualificar a contribuição de milhões de falantes do português que, através dos séculos, nos trouxeram até onde a língua se encontra agora? Então a ideia é que só valerão as regras que se criarem a partir do surgimento de uma sociedade justa e sem classes? Quando é mesmo que vai ser isso? É simplesmente ruim desistir de adestrar nosso povo para o entendimento da nossa língua em todos os seus registros. O português lusitano e o africano, o do sertanejo iletrado e o do doutor em sociologia, o do poeta renascentista e o do teatrólogo moderno, o do cientista e o do sacerdote.Eu próprio não me sinto seguro ao escrever. Cometo erros de ortografia. (Numa resposta a Xexéo — cujo nome já está quase passando o de Liv Sovik em frequência aqui nesta coluna — na época do réveillon em que, no “JB”, eles criaram uma maluquice envolvendo Paulinho da Viola, escrevi “analizar” — ou algo equivalente.Sem memória visual de como era a palavra, segui ( s e m p e n s a r ) uma regra abstrata (isso acontece menos em inglês ou em francês, mas não vou explicar agora por quê). Xexéo, mais uma vez, zombou de mim. Bem feito. E muitas vezes me vejo enrolado na construção de uma frase.Mas amava meu professor de português do Ginásio Teodoro Sampaio, Nestor Oliveira (poeta de olhos azuis e voz bonita) e Dona Candolina (preta gorda competentíssima e energética), do Severino Vieira. E gosto de literatura e de que o acaso tenha feito com que falemos português.Em Londres, quando chegou o disco de Roberto Carlos que tinha “Detalhes”, ouvi a canção com respeito e frieza.Mas quando veio o verso “E até os erros do meu português ruim” eu caí no pranto.Alguém dirá que tenho chorado demais aqui — e sempre por causa de música.Mas é assim. Não quero entrar no mérito da crítica de Barbara Heliodora aos arranjos que Jaques Morelenbaum e Jaime Alem fizeram para as música de Tom: não vi o “ Orfeu ” no Canecão (estou em São Paulo), de modo que não sei se a shakespeariana crítica sentou-se perto de algum alto-falante rachado.Nem quero pensar nisso para não chorar de novo.Mas o “tu” dos versos e das canções não pode ser anatemizado por um preconceito mais idiota e opressivo do que o que pareceu ser o meu quando disse, numa entrevista até bem razoável, que Lula é analfabeto.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Carta-resposta a Bárbara Heliodora

E não fazes nada?

Aderbal Freire-Filho

Vou escrever mais uma vez para comentar (questionar, discutir) uma crítica de teatro? Penso: melhor escrever uma carta (papel de seda?) só para a autora e, talvez com mais proveito, apontar suas incongruências. Fico uns dias vacilando, alimentando dúvidas, mas já devo saber que no fim não resisto.

Depois, não é tanto por mim que escrevo, mas pensando em preservar um pouco a saúde do teatro carioca, que não tem vacinas contra um vírus tão avassalador, alojado na página cultural do jornal de mais prestígio, única página cultural relevante e lida da cidade. O jeito é apelar para os anti-corpos do organismo teatral, isto é, nós mesmos.

E como venho cumprindo esse papel sistematicamente (Hamlet, Macbeth), por que não completar essa trilogia, se tenho aqui a melhor oportunidade de mostrar os equívocos graves dessa(s) crítica(s), tão óbvios eles são nesse caso?

E se em geral imagino o dano causado ao teatro, ao pensar nos seus prováveis leitores, aqui vejo os efeitos concretos. Mais precisamente: devo uma explicação a dois mestres da música brasileira que chegam ao nosso terreiro, o teatro, e se assustam com tamanho despautério. Eles podem dizer: então é esse o nível do teatro brasileiro, é isso que sabem de música no teatro? Bárbara Heliodora é considerada uma autoridade, eles sabem, e se a autoridade fala assim, deve falar em nome de todos. Como acho que posso falar em nome ao menos de outra corrente, tomo a palavra.

Jaques Morelembaum é um mestre reconhecido por todos os grandes compositores e intérpretes da MPB, autor de arranjos para alguns dos expoentes da nossa música. Jaime Além, outro mestre, é o arranjador e maestro da banda de Maria Bethânia há mais de 20 anos. Jaques e Jaime fizeram os arranjos das músicas de Tom e Vinicius para a nossa montagem de Orfeu. Com outro parceiro: Tom, o próprio. Jaques, durante muito tempo, tocou com Tom, com ele viajou, ganhou prêmios. Aqui, Jaques resgatou alguns arranjos originais do maestro e com eles compôs parte do concerto que nos oferece em Orfeu. Jaime, violonista maior, além de arranjador, é o violão de Orfeu, um privilégio dessa montagem. Pois bem, de Jaques, Jaime e Tom, diz BH que “os arranjos e o som do pequeno conjunto musical são fracos e desagradáveis ao ouvido”.

Digo mais: o “pequeno conjunto”, liderado por Jaques e Jaime é composto de sete músicos de primeira grandeza. Além dos dois (um luxo para um musical a presença deles tocando), estão Marcelo Bernardes (sopros), João Carlos Coutinho (teclados), Rômulo Gomes (baixo), Ronaldo Silva (bateria), Zero Telles (percussão), e quem conhece música brasileira sabe muito bem de quem estou falando, uma seleção brasileira da MPB. Não há, em todos os musicais do nosso teatro – com todo o respeito por seus ótimos músicos – uma banda dessa grandeza presente no palco. Ouvi-los e não perceber a qualidade da música que produzem, já a partir da excepcional abertura, com arranjo do próprio Tom, só tem uma explicação: sensibilidade zero.

Devo também uma explicação ao poeta Vinicius, que nos olha de uma daquelas nuvenzinhas do Chico Caruso e pergunta (com sotaque baiano): o que aconteceu, meu rei, com o teatro brasileiro, que eu deixei avançando? Continua avançando, poeta, apesar desses ataques. Mas é duro. Diz a crítica, por inacreditável que pareça: “tornou-se ainda mais evidente a precariedade do texto de Orfeu, entre outras coisas por preservar o tratamento na segunda pessoa, totalmente superado hoje em qualquer texto que se apresente como brasileiro”.

Bárbara Heliodora destrói de uma penada só todo o teatro de Nelson Rodrigues: vou direto ao nosso autor maior, para não precisar dizer mais nada. Posso pegar qualquer peça do Nelson, abrir ao acaso em qualquer página e comprovar que está lá o tratamento em segunda pessoa, o tratamento usual em suas peças. E nem dizer que ela comete suicídio, pois é esse o tratamento que costuma usar em suas traduções de Shakespeare.

Quanto a mim, só quero desautorizar sua suposição: “a direção parece reconhecer a fragilidade do texto e ...” O texto é ótimo, poesia de altíssimo nível e personagens, situações, diálogos, todos de extraordinária força dramática. Como Vinicius, ao imaginar futuras montagens, considerou seu Orfeu uma obra aberta, desenvolvi algumas indicações do poeta e escrevi cenas baseadas nessas indicações. E dei identidade ao coro e ao corifeu: um poeta e seus amigos. Criando outros registros, a adaptação ressalta a beleza do registro clássico do original. E devo às atrizes e aos atores de Orfeu, que mostram a maioridade do teatro brasileiro, a dimensão ao mesmo tempo épica e natural que é dada a tão rico material dramatúrgico.

O Theatre de L’Odeon, de Paris, em sua temporada oficial, apresentou a versão do diretor Krzysztof Warlikowski para Um bonde chamado desejo de Tenessee Williams, com Isabelle Huppert no papel de Blanche. O diretor acrescentou ao original novos textos e muitas canções. Isso não significa que a peça original é ruim, nem que o diretor não gosta dela. Ah, o teatro andante, esse cavaleiro sempre vivo.

Bom, vou abrir ao acaso qualquer peça de Nelson Rodrigues e... Vejam só o que Ismael diz a Virgínia (Anjo Negro, Teatro Completo, Vol. 2, Ed. Nova Fronteira, pg. 125). Só queria mostrar o mestre em segunda pessoa, mas... pura coincidência!

“Começas a compreender? E não tens medo?”

domingo, 22 de agosto de 2010

Mais passos dados nesta estrada


Orfeu. De onde estou penso numa frase: "There is no standing still, only evolution or involution". Tenho acreditado muito no poder do trabalho. Não sei direito o que realmente penso sobre o que é talento, não que não acredite que ele exista, mas por que acredito e experimento o poder que o trabalho tem sobre a arte do ator. O treino físico, a repetição que chega a exaustão, a exaustão que permite uma fluidez na criação. Essa é uma arte de escolha diária. É uma arte exigente, cobra do corpo tônus, elasticidade e ainda beleza, exige que a voz penetre e dê as intenções certa. É uma arte do presente. Cada dia de ensaio me emociono com a música, com algumas cenas...Me reconheço e choro, choro e já nem sei por que...o poder da música de Orfeu.


Tenho recebido emails pelo site e fico feliz que as pessoas tem lido o blog e que estão acompanhado o que sinto o que penso


Indico o site, lá tem a agenda. Estreia no Rio de Janeiro, mas até o fim desse ano passaremos por SÃO PAULO, BRASÍLIA, BELO HORIZONTE, PORTO ALEGRE, JUIZ DE FORA, GOIÂNIA, CURITIBA.