segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

mais notícias sobre Cuba


Algumas pessoas fazem comida em casa para ganhar um extra. Fui comer a famosa comida criolla na casa de uma senhora. Almocei sentada na porta da casa dela num pratinho de izopor arroz congrí (que é um arroz com feijão misturado), porco e 1 banana. Gostei tanto que voltei no outro dia para comer novamente, principalmente por que o preço da refeição é 1,00 peso algo equivalente a R$2,00. Comer em Cuba é barato demais e geralmente os preços são parecidos.
Quando tiramos a máquina fotográfica da mochila e saímos caminhando pela cidade com cara de primeira vez nos entregamos: somos turistas. Como diria o pessoal do 5x favela na nossa testa está escrito: temos CUC. A moeda que o estrangeiro tem acesso se chama CUC e vale 25 vezes mais que a moeda nacional. Nas áreas turísticas sempre vem alguém pedir uma ajuda...Alguns cubanos me falaram que o que eles acham mais difícil da vida na cidade é viver com duas moedas, uma moeda nacional desvalorizada que a moeda do salário e outra que circula por conta dos estrangeiros e que vale muito mais. O salário é o mesmo para um médico ou um engenheiro ou até mesmo um garçom, por isso não vemos uma grande diferença social. Alguns médicos se formam e as vezes vão trabalhar com táxi para estar mais próximos dos CUCs com as gorjetas e o transporte de turistas e poder ganhar um pouco mais.

Não vi por Cuba bancas de jornais ou revistas. O único jornal que vi circular foi o do partido comunista. Tem fotos de Che Guevara por toda a cidade e na televisão há canais que passam documentários sobre a revolução o dia inteiro. O povo cubano aprova o comunismo apesar das dificuldades mas algumas pessoas dizem que o país deveria estar mais aberto para algumas pequenas empresas privadas que movimentassem mais a economia. Não vi moradores de ruas, criança na rua nem pensar, quase nem vi crianças cubanas e perguntei a uma pessoa pelas crianças cubanas e ela me respondeu que estavam na escola. As pessoas cuidam muito da educação das crianças. Com dois anos elas já frequentam a escola. O horário da escola geralmente é integral nos conservatórios. Estuda-se a educação geral de manhã e alguma outra habilidade artística a tarde, como música, dança. Na cidade tem muitos estudantes de medicina brasileiros. O governo de cuba dá uma bolsa com alimentação, moradia e faculdade por seis anos. São 400 estudantes brasileiro numa escola de 2300 alunos.

Aqui o cinema é muito importante para o povo cubano. Estava andando pela cidade com os diretores do 5x favela e algumas pessoas nos paravam para dizer que tinham gostado muito de um filme brasileiro chamado 5xfavela. Um senhor cubano nos disse numa sala de cinema que as histórias que se contam nas novelas são muito diferentes das que se vê num filme como o 5xfavela. Essa é a grande magia desse festival ver o mundo através da tela de cinema. Saber que tem mães colombianas que deixaram seus filmes e se foram para a espanha através de um curta metragem super sensível. Ver o Chile tratando com tanta delicadez de um tema como a sexualidade na adolencência. Mostrar nosso país e nosso cinema lá dá muito orgulho. No Brasil temos cartões de crédito, financiamento bancário, carros de luxo, comida farta, mas não temos um festival como esse. Parabéns ao festival internacional del nuevo cine lationamericano, muito obrigada pelo convite e por conhecer Habana!

Cuba não é uma cidade para ser desfrutada da forma com a qual estamos acostumados. A primeira impressão que senti foi de estranheza. Caminhando pela habana vieja sinto que é mais fácil achar um salão de beleza e colocar unhas postiças coloridas e enormes que achar um supermercado e comprar uma variedade de frutas. Variedades para comprar não é o forte de Cuba. Não vi um supermercado do modelo que temos no Brasil. Vi muitos cinemas na cidade e uma paixão muito grande por essa arte. Não só dos estudantes da escola de cinema, que tem muitos estudantes brasileiros, mas é um hábito do povo. Os cinemas são grandes e por conta do festival as filas são enormes e as salas sempre cheias. O povo comenta o filme dura a sessão, levanta, fuma dentro do cinema, reage sempre de forma expansiva e vibra muito quando aparece um ator de novela. Eles acompanham nossas novelas e adoram. O cinema brasileiro lhes dá a oportunidade de ver uma realidade diferente da telenovela. As viagens não são habituais e fartas para eles e uma boa maneira de conhecer o mundo é através das salas de cinema. Isso é o mais bacana desse festival. É um festival internacional do cinema lationamericano que reúne diretores, produtores, atores, roteiristas do mundo todo. Um festival que agrega não só os artistas e produtores dos filmes mas todos os cubanos. Um festival que possibilita que filmes que não chegariam lá por conta de dsitribuição cheguem! Experiência única. Vi um filme lindo da Colômbia que acho que não teria a oportunidade de ver aqui, Las colores de la montaña, filme sensível e que me deixou interessada em acompanhar mais sobre o que acontece hoje na Colombia em relação as guerrilhas e conhecer mais do seu cinema. Vi curta-metragens maravilhosos, filmes cubanos super interessantes, muitos filmes brasileiros. As diferenças sociais não são vistas quando se anda pela cidade. Vi bairros diferentes como Cubanacã onde ficam as embaixadas, bairro bem asfaltado com residências e embaixadas luxosissímas completamente diferentes das casas dos outros bairros por onde andei em que as casas as vezes são sustentadas por madeiras. A grande lição de Cuba é que se pode viver e ser feliz com pouco. Há dias em que se quer cenoura mas se come batata...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

REVISTA LOLA


Quero agradecer pelo convite para o Ensaio deste mês na REVISTA LOLA, uma publicação nova da editora abril, voltada ao público feminino. Li a revista do mês passado e gostei bastante, publicação nova que vem com fôlego!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

INDICAÇÃO TROFÉU RAÇA NEGRA 2010

Acabo de saber que estou indicada ao troféu Raça Negra 2010 na catergoria melhor atriz/cinema por Besouro. Junto com essa notícia fiquei sabendo que o Besouro está ganhando um prêmio na Espanha exatamente agora! A votação é online. Érico Brás está concorrendo como melhor ator/teatro por Orfeu. Votem!

http://www.trofeuracanegra.com.br/website/index.php?option=com_pollxt&Itemid=18
Urso de Ouro - Berlinale
Berlim

Lançamento Besouro - Rio de Janeiro







Pré-estréia do Besouro em São Paulo


A loja Eu Amo Vintage sempre me acompanha nos melhores momentos e da melhor forma que poderia: me vestindo! Entrem no blog da loja: http://blogeuamovintage.blogspot.com/ que é uma fofura vejam a lindíssima coleção nova, peguem o bondinho para santa teresa e divirtam-se com as compras!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

MIRA

Orfeu: Érico Brás

fala de umas coisas que eu nem posso acreditar...


grande atriz: Patrícia Costa

Toda vez quando está pertinho do ano findar eu faço a minha retrospectiva e preparo as minhas intenções para o ano que chegará. Esse não é um texto de retrospectiva, mas mal começo a escrever sobre o presente e caixinha de memórias começa a piscar. Ano passado eu lancei o meu primeiro filme, Besouro, já parece que faz tanto tempo. Participei de um festival de cinema que me deu um prêmio de atriz revelação, mas que na verdade o grande prêmio que levei daquela noite foi a sensação de me sentir incluída. Foi muito engraçado o que senti naquela noite. Tanta gente que admiro estava presente, Zezé Mota, Antonio Pitanga, Elza Soares, Dona Lúcia Rocha (mãe do Glauber Rocha)...e eu estava sentada ao lado deles, no palco, essa sensação foi o meu maior prêmio. Quando 2009 ia virar 2010 coloquei no meu quadro de intenções muitas imagens de teatro. Uma foto do Ensaio.Hamlet (Cia dos atores) representando coletividade, Quartet do Bob Wilson com Isabelle Huppert me convidando a correr riscos...Fui viver a emoção de estar com um filme no Festival de Berlim, entreguei até um Teddy Awards, oscar do cinema gay, e voltei para a Escola de teatro. No meio do primeiro semestre de repente surge Jayme Periard e um convite para a peça Pedaços de Mim. Mulheres, desejos, dores, alegrias, o palco enorme do Teatro Clara Nunes e sobretudo o conhecimento que esse grande ser humano me passou. Eis que surge Orfeu, meu primeiro musical. Agora mais do que nunca eu estava vivendo de maneira concreta tudo o que eu tinha intecionado. Não cheguei a desejar o Aderbal, pois nem pensava em apostar tão alto. Ele veio com seus livros, seu sorriso sem fim, sua gentileza. Mira era tão distante de mim e agora já é tão próxima, ela me ensinou que estar em dias com a auto-estima ajuda muito na hora de pisar no palco. Todo mundo que veio junto com ela foi o grande presente deste ano, nem cabe aqui o que aprendi, o que caminhei. Caberá nos palcos, na estrada de atriz que agora percorro com mais vontade ainda, com medo e ansiedade, mas com muito mais confiança e tranquilidade.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

por caetano veloso

O meu português ruim

O Globo - RJ - NOTÍCIAS - 03/10/2010

É inacreditável que Barbara Heliodora tenha escrito que um autor teatral não pode usar o tratamento na segunda pessoa. E muito significativo que ela tenha lançado esse anátema como condição para que uma peça se considere brasileira. É a mesma mentalidade que leva um tradutor de Proust a evitar a palavra “raparigas” e tradutores de textos complexos a correrem da tmese como o diabo da cruz. Até parece que estilos nascidos desse tipo de pânico primam pela clareza e pela elegância.Mas não. Leem-se textos onde o único mérito parece ser o do esforço para evitar mesóclises e segundas pessoas. Erros variados e escorregadelas para a pedanteria não são sequer notados por muitos dos que se contorcem nesses dribles. Outro dia, por causa de meus protestos contra o medo da mesóclise, recebi alguns e-mails corrigindo minha suposição de que talvez algo do problema se devesse às campanhas dos sociolinguistas. Dei razão aos que me corrigiram. Mas a verdade é que esse à vontade com que Barbara Heliodora proíbe o uso do tratamento em segunda pessoa não pode deixar de se dever, em parte, a tal campanha. É difícil que simplesmente coincida com ela.Quando eu mantinha um blog para acompanhar a feitura do projeto “Zii e Zie”, disco e show, escrevi, em tom ainda mais apressado e irresponsável do que o faço aqui, sobre as perguntas que me fiz ao ler um bom livro sobre tendências do português brasileiro.Como a descrição da frequência do uso do “você” levava a autora a expor os pronomes pessoais sujeitos como sendo “eu, você, ele, ela, nós, vocês, eles, elas”, em vez de “eu, tu, eles, nós, vós, eles”, fiquei com a impressão de que se sugeria que passássemos a ensinar nas escolas esses pronomes mais usuais — e as variações verbais que os acompanham — e abandonássemos o “tu” e o “vós”, que não usamos na conversa.Descrevi o mal-estar que isso me provocava e enumerei as várias formas conversacionais em que a segunda pessoa do singular é usada comumente.Do “tás me estranhando” carioca ao “viste” (ou “visse”) pernambucano; do “tu é mesmo mané”, também do Rio, ao “tu fala demais” dos gaúchos. Lembrei que em Belém do Pará se flexiona o verbo para a segunda pessoa com considerável frequência.E mencionei o fato de que as crianças entendem perfeitamente bem o que quer dizer um samba-canção ou um rock-balada em que o cantor se dirige à amada na segunda pessoa. Isso sem falar nos textos eruditos.Por causa da reação de alguns comentaristas do blog, fui ler os sociolinguistas militantes — esses que odeiam os professores que ensinam regras de português em jornais ou na TV. Percebi que há uma confusão entre observar como a língua muda e querer desfazer toda a normatividade já consagrada. A explicação era sempre que a norma culta é uma espécie de ideologia da classe dominante que oprime os desassistidos.Nunca passava pela cabeça desses heróis que essa norma tinha se desenvolvido pelo mesmo processo para o qual eles querem chamar a atenção no presente. O povo é o inventa-línguas. A contribuição milionária de todos os erros. Sim. Mas desde sempre. Por que desqualificar a contribuição de milhões de falantes do português que, através dos séculos, nos trouxeram até onde a língua se encontra agora? Então a ideia é que só valerão as regras que se criarem a partir do surgimento de uma sociedade justa e sem classes? Quando é mesmo que vai ser isso? É simplesmente ruim desistir de adestrar nosso povo para o entendimento da nossa língua em todos os seus registros. O português lusitano e o africano, o do sertanejo iletrado e o do doutor em sociologia, o do poeta renascentista e o do teatrólogo moderno, o do cientista e o do sacerdote.Eu próprio não me sinto seguro ao escrever. Cometo erros de ortografia. (Numa resposta a Xexéo — cujo nome já está quase passando o de Liv Sovik em frequência aqui nesta coluna — na época do réveillon em que, no “JB”, eles criaram uma maluquice envolvendo Paulinho da Viola, escrevi “analizar” — ou algo equivalente.Sem memória visual de como era a palavra, segui ( s e m p e n s a r ) uma regra abstrata (isso acontece menos em inglês ou em francês, mas não vou explicar agora por quê). Xexéo, mais uma vez, zombou de mim. Bem feito. E muitas vezes me vejo enrolado na construção de uma frase.Mas amava meu professor de português do Ginásio Teodoro Sampaio, Nestor Oliveira (poeta de olhos azuis e voz bonita) e Dona Candolina (preta gorda competentíssima e energética), do Severino Vieira. E gosto de literatura e de que o acaso tenha feito com que falemos português.Em Londres, quando chegou o disco de Roberto Carlos que tinha “Detalhes”, ouvi a canção com respeito e frieza.Mas quando veio o verso “E até os erros do meu português ruim” eu caí no pranto.Alguém dirá que tenho chorado demais aqui — e sempre por causa de música.Mas é assim. Não quero entrar no mérito da crítica de Barbara Heliodora aos arranjos que Jaques Morelenbaum e Jaime Alem fizeram para as música de Tom: não vi o “ Orfeu ” no Canecão (estou em São Paulo), de modo que não sei se a shakespeariana crítica sentou-se perto de algum alto-falante rachado.Nem quero pensar nisso para não chorar de novo.Mas o “tu” dos versos e das canções não pode ser anatemizado por um preconceito mais idiota e opressivo do que o que pareceu ser o meu quando disse, numa entrevista até bem razoável, que Lula é analfabeto.