sexta-feira, 25 de outubro de 2013

CIDADE DE GÓIAS, HISTÓRIAS VIVIDAS NA ANTIGA CAPITAL DO ESTADO!









O calor humano do povo de Góias é tanto, quanto o calor da cidade. Aqui a temperatura ferve. Dizem que quente mesmo é o Mato Grosso, mas para uma equipe de quase 150 pessoas, filmando 10 horas por dia embaixo do Sol, já há 15 dias, o bicho pega!



A cidade é uma fofura. Uma cidade histórica, construída pelos mineradores que é a antiga capital do estado. Por conta das serras, a cidade não se desenvolveu muito e Goiânia se transformou na capital. O centro histórico, onde filmamos e estamos hospedados, tem ruas de pedras e belas casas antigas. Aqui é a terra do pequi, do cajuzinho, do murici e da castanha de barú. As cachoeiras nos renovam para poder seguir e o povo nos acolhe para que a saudade de casa diminua. Povo sertanejo, uai, bão demais!!!



Está sendo uma experiência maravilhosa fazer essa novela. Primeiro, é maravilhoso ser dirigida por Jayme Monjardim. Um diretor amável, humano, detalhista e exigente do jeito que eu gosto! Consegue administrar e coordenar da barra da calça do ator ao tom da voz, sempre de maneira afetuosa. Acho que por isso, temos uma equipe que também é maravilhosa. 



Foi muito bom ser tão recebida, ter o apoio dos nossos maravilhosos câmeras, Jota e Marconi. Eles estão sempre nos dando dicas, ensinando essa relação que o ator de novela tem que ter com a câmera. Está sendo maravilhoso aprender a fazer TV  com essas feras, já na prática. Betinho é nosso diretor de fotografia, ele tem me ensinando muito sobre fotografia de novela. Maquiagem, figurino, arte, direção, produção, técnica, catering...sem igual!



O elenco se  tornou uma família mesmo. Cyria Coentro, que faz minha mãe é meu grande grude. Ela também é da Bahia coincidentemente. Ela é uma atriz tão generosa que compartilha durante as cenas todo brilho irradiante dos seus olhos, possibilitando que a troca seja de verdade, sincera. Tenho aprendido muito com ela, sobre atuação, sobre vida e sobre escolher ser feliz, sempre! Nando Rodrigues, que faz meu irmão,é nosso pantaneiro quase baiano, amigo de todos,coração grande. São tantas pessoas especiais ao redor, que ajuda a aliviar a distância de casa e os desafios de um set de filmagem.



Fazer novela é bem puxado! Zero glamour, principalmente para a equipe que precisa filmar todo dia embaixo do Sol. Espero que o público goste de nossa "Família", estreiaremos dia 3 de fevereiro.



obrigado a todos! obrigado especial a Leila Mendes (nosso trabalho está me possibilitando voar)




RECEBIDOS PELA FAMÍLIA DE GÓIAS DO QUERIDO THIAGO!!!

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A bailadora andaluza




Subida ao dorso da dança
(Vai carregada ou a carrega?)
é impossível de dizer
se é a cavaleira ou a égua

Ela tem na sua dança
toda a energia retesa
e todo o nervo de quando
algum cavalo se encrespa.

Isto é: tanto a tensão
de quem vai montado em sela,
de quem monta um animal
e só a custo o debela
como a tensão do animal
dominado sob a rédea
que ressente ser mandado
e obedecendo protesta.

Então como declarar
se ela é égua ou cavaleira:
há uma tal conformidade
entre o que é animal e é ela,
entre o que é animal e é ela,
entre a parte que domina
e a parte que se rebela
entre o que nela cavalga
e o que é cavalgado nela,
que o melhor será dizer
de ambas, cavaleira e égua
que são de uma mesma coisa

e que só um só nervo as inerva,
e que é impossível traçar
nenhuma linha fronteira
entre ela e a montaria:
ela é égua e cavaleira.

João Cabral de Melo Neto

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Ser grão


Sanã - trailer from Marcos Pimentel on Vimeo.


Inspirada por este trailer, nasceu uma poesia: 

Grão, 
Solitude poente 
Calmaria do meu caos 

Quanta, branca, tanta, areia... 
Queria que só o céu testemunhasse agora 
Depois de amornada pelo Sol, ser arrastada pelo vento... 

Em quietude de ser grão, areia...
Pequenina e insignificante que se deixar levar pelo vento
Tempo! De um grão num outro, se faz Maranhão.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013




DIVULGANDO O SITE DE UM AMIGO QUE SOU FÃ. O MAQUIADOR SADI CONSATI. 
LÁ TEM DICAS PRECIOSAS DE MAQUIAGEM!!!

 www.sadiconsati.com

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Besouro na estrada!




Uma dos maiores motivos que me move a fazer cinema é a estrada!!! 

Besouro estará em Copenhague no Afrowood Film Festival.


http://afrowood.com/?p=748

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Exercícios de admiração



Achei tão bonito o nome desse livro, Exercícios de admiração de Cioran. Esse livro é a prática de um pensador inquieto sobre o que eu falei no post anterior. Eu chamei de trabalho de apreciação, ele muito mais inspirado, chama de Exercício de admiração. Por conta do alto acesso que a última publicação teve, fico entusiasmada para seguir publicando. 

Hoje, compartilho um trecho de um texto de Cioran sobre o ato de escrever. É tão bom quanto um texto provoca não só reflexão, mas também o corpo. Sinto que as palavras dele atravessam o corpo, instigam. 

Borges, Beckett, Joseph de Maistre, cada escritor escolhido por ele, tem um capítulo dedicado neste livro, onde ele faz reflexões, indagações e afirmações, que vão além das obras destes autores.

Abaixo, o trecho de um capítulo, sobre o ato de escrever.

                           Confissão resumida

"Só tenho vontade de escrever num estado explosivo, na excitação ou na crispação, num estupor transformado em frenesi, num clima de ajustes de contas em que as invectivas substituem as bofetadas e os golpes. Em geral, começa assim: um ligeiro tremor que se torna cada vez mais forte, como depois de um insulto que se recebeu sem responder. Expressão equivale à réplica tardia ou à agressão adiada. Escrevo para não passar ao ato, para evitar uma crise. A expressão é alívio, desforra indireta daquele que não consegue digerir uma vergonha e que se revolta em palavras contra os seus semelhantes e contra si mesmo. A indignação é menos um gesto moral que literário, é mesmo a mola da inspiração. E a sabedoria? É justamente o oposto. O sábio em nós arruína todos os nossos élans, é o sabotador que nos enfraquece e nos paralisa, que espreita em nós o louco para dominá-lo e comprometê-lo, para desonrá-lo. A inspiração? Um desequilíbrio súbito, volúpia inominável de se afirmar ou de se destruir. Não escrevi uma única linha em temperatura normal.E, no entanto, durante muitos anos, me julguei o único indivíduo livre de taras. Esse orgulho me foi benéfico: me permitiu escrever. Parei praticamente de produzir quando, apaziguado o meu delírio, me tornei vítima de uma modéstia perniciosa e funesta para esta exaltação de que emanam as instituições e as verdade. Só consigo produzir quando, tendo desaparecido subitamente o sentido do ridículo, me considero o começo e o fim."

Cioran




sábado, 21 de setembro de 2013

                                                         foto de Jéssica Barbosa         

Não gosto de ver poesia compartilhada na rede como se fosse uma frase do "minutos de sabedoria" sorteada na caixinha. Tenho muito cuidado ao compartilhar trabalhos artísticos na rede para não inseri-los numa dimensão demasiadamente cotidiana. A arte tem que fazer parte do cotidiano, mas a arte é extra-cotidiana, a poesia nos exige um estado. Eu tenho gostado mais da arte que me exige, que me abre fendas, que me mostra outras dimensões. Com a poesia eu posso sentir mais intensamente o que vivo, dar uma pausa nas demandas que a realidade exige ou ainda enxergar as demandas com luzes de outras cores. A poesia abre espaços imensos de compreensão, de dúvidas. Certamente uma frase pode iluminar o dia. Existem muitos textos, canções e vídeos que precisam ser compartilhados, sentidos, debatidos e a rede é um espaço maravilhoso de acesso. 

Será que deveríamos ter algum tipo de cuidado ao compartilhar uma obra de alguém ou o trabalho da apreciação deve ser feito posteriormente por parte de quem acessa? O que acontece quando pego uma música e coloco como toque do meu celular? Será que não estou "condenando" a música como as novelas já fazem? É como falar muito sobre algo tentando desvendar o mistério quando o mistério é exatamente o ponto de luz. O trabalho da apreciação artística, muitas vezes, pode ser somente contemplativo, podendo ser feito por parte de quem acessa, mas quem compartilha pode instigar que esse trabalho seja feito. Talvez eu esteja querendo falar sobre diálogo. 

Que tipo de diálogo temos com nossos amigos, na nossa faculdade, com nossos professores? O quanto conseguimos nos aprofundar nos debates relativos à arte? Qual a qualidade da troca que se dá hoje na internet? O espaço é tão grande que eu sinto que preciso estar sempre atenta, ir além do gostar e do não gostar.
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Toda essa introdução para dizer que estou numa fase de redescoberta de minha escrita, alimentada por afetos aos quais estou exposta. Considero a minha escrita ainda como um rabisco, são traços, rascunhos, intenções. Compartilho-a aqui, por que olho para ela, não a sinto mais como minha, e sinto a necessidade de expô-la a outros olhos. 

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                                                foto de Jéssica Barbosa


Madrugada,

Sereia insone e fria
Deusa inconstante
Por que me clama assim?

Desejosa de mim,
da minha carne cor de noite
Do meu ventre melancólico e quente

Sanguessuga, alimento,
de tudo que evoca
Vem, atiça dama! Vem, guerrear comigo

Noite adentro, lua alta
Minha pele amorna ao ser envolvida por ti.
Nessa hora escuto ainda mais alto teu clamor

Tu és uma espécie de planeta
Morada de poetas e vadios
De bêbados e putas, que festa!

Ai! As putas que por sobre ti vagueiam...
Quero deleitar sobre seus seios quentes, vividos,
sujos, violentos e amorosos , todos os meus desejos!